Escrito por: Suvashree Ghosh, Bloomberg
Traduzido por: Saoirse, Foresight News
Como a blockchain com o maior volume de negociação do mundo, seria de se esperar que fosse fácil impressionar Wall Street, mas a história da Solana está longe de ser tão simples. Grande parte de sua notoriedade inicial foi construída sobre diversos tipos de Meme coins e tokens que pegavam carona na popularidade de Trump.
Esta blockchain recebeu investimento de Sam Bankman-Fried (SBF) no início e chegou a ser vista como a próxima grande tendência do setor cripto. Em 2022, a exchange FTX, de propriedade de SBF, entrou em colapso, e a Solana sobreviveu a essa crise, voltando ao radar do mercado com o boom das Meme coins, com suas operações altamente dependentes de negociações especulativas.
Nas últimas semanas, a demanda pelo token nativo da Solana, SOL (um dos poucos sobreviventes entre as chamadas "Sam Coins" que receberam apoio financeiro de SBF na época), continuou enfraquecendo, com uma queda de quase 20% no acumulado do ano.
Ao mesmo tempo, os ETFs de SOL à vista e de staking listados nos Estados Unidos registraram, neste mês, saídas líquidas de US$ 50 milhões ao longo de duas semanas consecutivas. A gestora de ativos digitais SkyAI também liquidou, neste mês, toda a sua posição em SOL, abandonando seu posicionamento original para se concentrar integralmente no setor de IA.
"O maior risco é acreditar que o atual aquecimento das negociações pode garantir competitividade a longo prazo", afirmou Michael Weisz, CEO da Kamino, plataforma de empréstimos do ecossistema Solana.
Solana tem o pior desempenho entre as principais criptomoedas
À medida que Wall Street continua ampliando sua presença no setor cripto, o foco do setor está se deslocando, e aplicações mais voltadas ao setor financeiro tradicional, como stablecoins em dólar e ativos reais tokenizados, tornaram-se a direção predominante. O valor de investimento de longo prazo da Solana ainda é objeto de debate, mas ela já vem se posicionando ativamente nesse segmento e obteve certo progresso em cenários como o de ações tokenizadas.
A desaceleração geral do mercado cripto ampliou ainda mais seus desafios. Após uma onda de alta de curto prazo trazida pela eleição de Trump, os preços das moedas caíram continuamente, e a maioria dos tokens teve dificuldade em recuperar as perdas. Parte do capital especulativo passou a buscar retornos relacionados à IA, enquanto uma série de novas blockchains de nicho surgiu como concorrente da Solana.
A Solana Foundation, organização sem fins lucrativos sediada em Zug, na Suíça, que apoia o desenvolvimento da rede, afirma que o trabalho de transição está em andamento. A presidente da fundação, Lily Liu, declarou que a movimentação de recursos reais e ativos do mundo físico por instituições na blockchain tornou-se o segmento de crescimento mais rápido da rede. Ela acrescentou que a rede Solana é rápida e tem taxas baixas, o suficiente para sustentar pagamentos globais em larga escala e operações de mercado de capitais.
Quando foi lançada há seis anos, a principal proposta de valor da Solana era ser mais rápida e ter custos mais baixos que os concorrentes (especialmente o Ethereum). Mas essa característica também a tornou naturalmente adequada para negociações especulativas, e até hoje a especulação continua sendo sua principal fonte de receita.
Lucas Tcheyan, vice-presidente de pesquisa da Galaxy Digital, observou: "Em comparação com o Ethereum, a receita de taxas da Solana depende mais de negociações especulativas, e a queda em relação ao pico de 2025 também foi maior." Ele também mencionou que o objetivo atual da Solana é incentivar os usuários a migrar mais atividades financeiras para a blockchain, abrangendo cenários como negociação, poupança e pagamentos.
A estrutura do ecossistema desta blockchain está se diversificando. Segundo um relatório da Galaxy Research, a proporção do volume de negociação de Meme coins caiu de mais de 50% no final de 2024 para 15%–20% no segundo trimestre deste ano.
A Solana Foundation informa que grandes instituições financeiras como JPMorgan, Morgan Stanley e Standard Chartered já realizam operações na rede.
Provedores de pagamento líderes como Visa e Fiserv também escolheram a Solana. A Western Union emitiu, em maio deste ano, a stablecoin em dólar USDPT na blockchain Solana.
Mas, recentemente, os negócios que a Solana pretende conquistar vêm sendo continuamente desviados pela concorrência.
A Hyperliquid tornou-se uma plataforma popular para contratos perpétuos on-chain. Os contratos perpétuos não têm data de vencimento, permitindo que os traders apostem na variação de preços de criptomoedas, ações e commodities. Segundo dados de Tcheyan, no prazo de um ano após o lançamento do token HYPE pela Hyperliquid, a participação da Solana no volume de negociação de contratos perpétuos on-chain caiu de 17% para 6%.
Por outro lado, o Ethereum continua sendo a base fundamental das finanças descentralizadas. A Robinhood Chain e a Base, lançada pela Coinbase, são redes de camada 2 construídas sobre o Ethereum; a Tempo, incubada pela Stripe em conjunto com a Paradigm, e a BNB Chain, da Binance, são blockchains independentes compatíveis com o ecossistema Ethereum.
A própria Solana também continua evoluindo. Em 21 de outubro, a rede concluiu a atualização Alpenglow, aumentando ainda mais a velocidade das transações. Mas o valor da otimização técnica só se manifesta quando é possível reter usuários e liquidez durante o mercado baixista.
Weisz declarou: "O crescimento só realmente se reverte quando ativos de qualidade, desenvolvedores e clientes escolhem sair porque outras plataformas oferecem uma experiência melhor."







